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terça-feira, 9 de abril de 2013

Amai-vos uns aos outros


Por que essas máscaras,
Essas capas, essas vendas?
Acaso estamos num baile a fantasia?
Fantasia de nos esconder
Num faz de conta infantil:
"Era uma vez EU",
O muro que me separa de você.
O muro, produto do medo...
Medo de amar.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Abraço


*Poema dedicado a amiga que sofre


Conheço esse lugar
Caminho da dor, da perda
Dor dilacerante, aguda
Grito sufocado, Deus escuta?

Calçado quase sem solado
Guardado no armário
Cajado desgastado.

Hoje observo de fora
Crendo conhecer
As bifurcações de outrora.

Pensei em ser seu guia
Ah que grande utopia!
Pois você sabe minha amiga
A vida não avisa
Sem mais nem menos improvisa.

Você se vê enredada, presa
Nesse caminho descampado
Horizonte nublado
Que sequer escolheu.

A vida dá e tira
É seu sistema
É sobrevida.

Pois sobreviva
E viva!
Não se exaspere com a frustração
O caminho da dor
É pro vencedor
Pra quem tem coração.

Ora, que ilusão
Ser o guia, que pretensão!
Sua dor reflete minha impotência
Pouco posso contra o gigante da existência!

Discursos, teorias
Experiências compartilhadas
Filosofia.
Meros paliativos que se dissolvem
Ao chocarem-se contra o muro da angústia.

Eu sei, eu sinto
Já estive lá
Me identifico
A ferida está sangrando.

Enquanto estiver nesta estrada
Meus braços estarão abertos pra você.






quinta-feira, 4 de abril de 2013

Medo


Foi aquele olhar
Invadiu meus olhos profundos
Ancorou em meu mundo

Olhar que grita em silêncio
Clamando por um abraço
E um tanto mais...

Olhar de pedido
Olhar de medo
Olhar de novo

Que medo é este que te atrai
Que medo é este que faz bem
Medo que contagia

Tenho medo de escrever
Medo de me enganar
Medo por não entender

Medo que termina no abraço
Medo que começa no abraço
Abraço que revela mais do que o medo

Abraço de pedido
Abraço de medo
Abraço de novo

Até que minha mão encontrou a sua
Por um instante o medo se dissipou
Contudo ao ir embora ele voltou

Sei o que há após o olhar
Sei o que há após o abraço
O que será que há depois do medo?





Saudade




Saudade é bem querer
Do coração apertado
Saudade é não te ter
Quando se quer ao lado
Saudade é dor que alimenta
Minha fome de você
Saudade é a paz de te encontrar
Dentro do meu ser
Saudade não é tempo,
É distância
Saudade não é abraço,
É espaço
Saudade é vazio
Que preenche a lembrança
Saudade...
É silêncio.



Rumo ao Leste



   Quando desistir?
Uma meta interrompida,
Frustração que tange a alma do andarilho.
A vida
Um caminho, um plano, um fluxo.
Fui obrigado a interromper.

Percorri, fui feliz, vi muitas belezas.
Percorri, cansei, errei, me machuquei, não vi.
Dói
Um caminho de alegria, pureza, música e poesia.
Perfeito pra mim?
Um caminho de dor, sofrimento, estagnação,
E o corpo precisa fluir, ser livre, se expandir.
Contração.
Não existe caminho perfeito.

Dúvidas surgem dia a dia
Dilemas que se arrastam ao sabor dos ventos,
Quase imperceptíveis se não fossem as folhas do outono.
Outono aqui, primavera lá. Terá essa dicotomia me confundido?
Pois enquanto as folhas caíam por aqui, as flores floresciam acolá.
Será isso bom pra mim? Deveria continuar?
Simples questões com respostas intrincadas.

Por insistir em andar pelo caminho
As bolhas em meus pés eclodiam,
Os ligamentos e articulações se deterioravam.
Músculos pesados, tensos
A alma fraquejava, já não me doava.

Fui obrigado a interromper
Parecia não querer,
Frustração que tange a alma do andarilho.

Cajado de lado, olhei no sentido contrário,
 No horizonte pairava o Leste.
Ele sorriu pra mim, me atraindo
Tão desconhecido, tão inesperado
Não estava preparado, não havia planejado.

Embarquei.

Percorri, fui feliz, vi muitas belezas.
Percorri, senti solidão, não vi.
Dói.
Um caminho de alegria, mistérios, música e poesia. 
Perfeito pra mim?
Um caminho solitário,
E o corpo precisa de conexão, abraço, se expandir.
Contração.
Não existe caminho perfeito.

Um novo caminho
Um outro caminho
Onde não se sabe do dia de amanhã,
Onde se parte sem destino.
Um caminho livre, que flui.
Um caminho solitário, quase silencioso,
Se não fosse o burburinho do futuro.

Um ensaio da vida

Agora, o inverno está chegando
E eu continuo...
Rumo ao Leste.